O que é : Erro Máximo Admissível (EMA)

Erro Máximo Admissível (EMA), em inglês Maximum Permissible Error (MPE), é o valor extremo do erro de medição, com respeito a um valor de referência conhecido, permitido por especificações ou regulamentos para uma dada medição, instrumento ou sistema de medição. Essa definição consta do VIM 2012 (JCGM 200:2012), item 4.26, o Vocabulário Internacional de Metrologia.

Em termos práticos, o EMA representa a “tolerância” de erro de um instrumento: até onde o erro é aceitável sem que o instrumento deixe de ser considerado adequado ao uso. Quando existem dois limites extremos, um positivo e outro negativo, fala-se em erros máximos admissíveis, normalmente expressos de forma simétrica, como ±0,5 %.

Origem e contexto normativo

O EMA tem três fontes principais. A primeira é a especificação do fabricante, que declara a exatidão do instrumento no manual técnico. A segunda são os regulamentos metrológicos: no Brasil, o INMETRO estabelece erros máximos admissíveis em Regulamentos Técnicos Metrológicos para instrumentos sob controle legal, como balanças, bombas de combustível e medidores de energia. A terceira é o requisito do cliente ou do processo, derivado da tolerância da característica a ser medida.

Formas de expressão e categorias

O EMA pode ser declarado de diferentes maneiras, conforme o tipo de instrumento:

  • Valor absoluto: em unidades da grandeza (ex.: ±0,01 mm; ±0,5 °C).
  • Percentual da leitura (% do valor indicado): o erro admissível cresce com a leitura.
  • Percentual do fundo de escala (% FE): o erro admissível é constante ao longo da faixa.
  • Combinação: ex.: ±(0,1 % da leitura + 0,05 % do fundo de escala).
  • Em divisões de escala: comum em instrumentos analógicos (ex.: ±1 divisão).

Exemplos práticos

Um manômetro classe 1,0 com fundo de escala de 10 bar tem EMA de ±0,1 bar (1,0 % de 10 bar). Uma balança analítica pode ter EMA de ±0,2 mg em determinada faixa. Um paquímetro digital de 0–150 mm costuma ter EMA de ±0,02 mm, conforme a norma DIN 862. Em cada caso, se o erro encontrado na calibração ficar dentro do EMA (considerada a incerteza), o instrumento é aprovado.

Diferenciação de conceitos próximos

O EMA é frequentemente confundido com outros termos. O erro de medição (VIM 2012, item 2.16) é a diferença entre o valor medido e o valor de referência — é o resultado, não o limite. A incerteza de medição (GUM, JCGM 100:2008) caracteriza a dispersão dos valores atribuídos ao mensurando — é a dúvida sobre o resultado. A tolerância é a amplitude de variação permitida de uma característica. O EMA é especificamente o limite de erro do instrumento; o erro deve caber nele, considerando a incerteza da calibração.

Aplicação e erros comuns

Na decisão de conformidade, o erro medido é comparado ao EMA. A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 exige que a incerteza seja considerada, geralmente por meio de uma regra de decisão com faixa de guarda. Erros comuns incluem: confundir EMA com incerteza; ignorar a incerteza na aprovação; aplicar EMA percentual do fundo de escala como se fosse da leitura; e calibrar com padrão insuficiente, resultando em TUR abaixo de 4:1.

Relação com outros termos

O EMA relaciona-se diretamente com classe de exatidão (VIM 2012, item 4.25), que agrupa instrumentos com o mesmo conjunto de erros máximos admissíveis, e com a razão de incerteza de teste (TUR/TAR), que compara o EMA do instrumento com a incerteza do processo de calibração. Conecta-se ainda com calibração, rastreabilidade metrológica e a gestão de medição segundo a ISO 10012:2003.

Referências Técnicas

  • VIM 2012 — JCGM 200:2012, item 4.26 (Erro máximo admissível) e item 4.25 (Classe de exatidão).
  • GUM — JCGM 100:2008, Guia para a Expressão da Incerteza de Medição.
  • ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 — Requisitos gerais para a competência de laboratórios.
  • ISO 10012:2003 — Sistemas de gestão de medição.
  • INMETRO — Regulamentos Técnicos Metrológicos aplicáveis.

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