O que é: Análise de Incerteza

A análise de incerteza é o processo sistemático de identificar, quantificar e combinar todas as fontes de incerteza que afetam um resultado de medição, com o objetivo de expressar matematicamente o grau de dúvida associado ao valor medido. É um pilar fundamental da metrologia moderna e requisito normativo em laboratórios acreditados.

Em outras palavras, quando um laboratório reporta o resultado de uma calibração como “10,025 bar ± 0,012 bar”, o valor após o ± é resultado de uma análise de incerteza completa, considerando todas as variáveis que podem influenciar a medição.

Definição segundo o GUM

O GUM (JCGM 100:2008) — Guia para a Expressão da Incerteza de Medição é o documento de referência mundial para a análise de incerteza. Ele estabelece a metodologia padronizada que deve ser seguida por laboratórios de calibração e ensaio.

Conforme o GUM, a incerteza de medição é um “parâmetro, associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão dos valores que podem razoavelmente ser atribuídos ao mensurando”.

Tipos de Incerteza

O GUM classifica as incertezas em duas categorias principais:

  • Incerteza Tipo A: Avaliada por métodos estatísticos a partir de uma série de observações repetidas. Calculada como o desvio padrão experimental da média
  • Incerteza Tipo B: Avaliada por outros meios que não a análise estatística de séries de observações. Baseada em experiência prévia, certificados de calibração, especificações de fabricantes, dados de literatura

Etapas da Análise de Incerteza

  1. Identificar o mensurando: Definir claramente o que está sendo medido
  2. Estabelecer o modelo matemático: Equação que relaciona o mensurando às grandezas de entrada
  3. Identificar as fontes de incerteza: Listar todas as variáveis que influenciam o resultado
  4. Quantificar cada fonte: Calcular ou estimar a incerteza padrão de cada componente
  5. Calcular os coeficientes de sensibilidade: Derivadas parciais do modelo em relação a cada variável
  6. Combinar as incertezas: Aplicar a lei de propagação de incertezas para obter a incerteza padrão combinada
  7. Calcular a incerteza expandida: Multiplicar pela cobertura k (tipicamente k=2 para 95% de confiança)
  8. Reportar o resultado: Apresentar valor medido, incerteza expandida e fator de cobertura

Fontes Comuns de Incerteza

  • Repetibilidade: Variação entre leituras consecutivas no mesmo ponto
  • Resolução do instrumento: Menor variação detectável pela escala ou display
  • Incerteza do padrão de referência: Conforme certificado de calibração
  • Deriva temporal: Variação dos padrões e instrumentos entre calibrações
  • Condições ambientais: Influência de temperatura, umidade e pressão
  • Operador: Variabilidade entre diferentes técnicos
  • Método: Aproximações e suposições do procedimento

Importância em Laboratórios Acreditados

A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 exige que laboratórios acreditados:

  • Avaliem e reportem a incerteza de medição em todas as calibrações
  • Identifiquem todas as contribuições significativas para a incerteza
  • Mantenham procedimentos documentados para análise de incerteza
  • Treinem o pessoal nas metodologias de avaliação

Referências Técnicas

  • GUM (JCGM 100:2008) — Guia para a Expressão da Incerteza de Medição
  • VIM 2012 (JCGM 200:2012) — Vocabulário Internacional de Metrologia
  • ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 — Seção 7.6 (Avaliação da incerteza)
  • EA-4/02 — Avaliação da Incerteza de Medição em Calibração

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