VIM 2012 (JCGM 200 - metrologia e calibracao em laboratorio acreditado ISO/IEC 17025

VIM 2012 (JCGM 200:2012): O Vocabulário Internacional de Metrologia

Como ter certeza que você, seu cliente, seu auditor da CGCRE e profissionais de outros países estão falando da mesma coisa quando usam termos como ‘mensurando’, ‘rastreabilidade’, ‘incerteza’? Através do VIM (Vocabulário Internacional de Metrologia), documento que estabelece terminologia oficial e harmonizada internacionalmente.

Conforme JCGM 200:2012 (versão atual do VIM), publicação do Joint Committee for Guides in Metrology (JCGM) do BIPM, é referência terminológica para todos os conceitos metrológicos. ABNT/INMETRO/CGCRE publicaram versão em português (‘Vocabulário Internacional de Metrologia — Conceitos fundamentais e gerais e termos associados’), disponível gratuitamente.

Este guia apresenta o VIM, sua estrutura, terminologia central que todo profissional de laboratório brasileiro deve conhecer, e como aplicar consistentemente em documentação tecnica e certificados emitidos.

TL;DR: VIM (Vocabulário Internacional de Metrologia) é o documento oficial de termos técnicos de metrologia, publicado pelo BIPM como JCGM 200:2012. Referência terminológica obrigatória para laboratórios brasileiros acreditados pela CGCRE. Versão em português disponível gratuitamente no site do INMETRO.

O que é VIM? Definição Técnica Completa

VIM (JCGM 200:2012) estabelece terminologia oficial em 5 capítulos cobrindo: (1) grandezas e unidades; (2) medição (incluindo mensurando, resultado de medição, incerteza, rastreabilidade); (3) instrumento e sistema de medição; (4) características metrológicas de instrumentos e sistemas; (5) padrões de medição. Total de aproximadamente 150 termos definidos com rigor e exemplos.

É crítico distinguir VIM (terminologia) de GUM (incerteza). Ambos são publicações JCGM/BIPM gratuitas e complementares. VIM define o que são os termos (mensurando, incerteza, padrão). GUM define como calcular incerteza com método. Laboratório acreditado precisa dominar ambos.

Histórico e Evolução do Conceito de VIM

O VIM teve sua primeira edição (VIM 1) em 1984, com ação pioneira de ISO, IEC, BIPM, OIML, IUPAC e IUPAP para harmonizar terminologia internacional de metrologia. VIM 2 foi publicado em 1993, VIM 3 em 2008 e revisado em 2012 (versão atual JCGM 200:2012). Revisões subsequentes (VIM 4) estão em discussão internacional, mas versão vigente continua sendo 2012.

No Brasil, a publicação conjunta ABNT/INMETRO/CGCRE da versão em português torna o VIM acessível a profissionais brasileiros gratuitamente. Em 2026, é referência universal em laboratórios acreditados da Rede Brasileira de Calibração (RBC) e Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE), citado em procedimentos, métodos, planilhas de incerteza e certificados.

Princípios Fundamentais de VIM

  • Terminologia internacional harmonizada: Mesmo termo significa mesma coisa em laboratórios de todos os países signatários.
  • Referência obrigatória para 17025: ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 cita VIM como base para terminologia.
  • Definições rigorosas com exemplos: Cada termo tem definição estrita, com exemplos clarificadores e notas.
  • Hierarquia entre termos: VIM mostra relações: grandeza -> mensurando -> resultado de medição.
  • Publicação gratuita: Disponível sem custo em www.bipm.org (inglês, francês) e no site do INMETRO (português).

Estrutura do VIM (JCGM 200:2012)

O documento tem 5 capítulos cobrindo:

  1. Capítulo 1 – Grandezas e unidades: Definição de grandeza (1.1), grandeza base (1.4), grandeza derivada (1.5), unidade (1.9), Sistema Internacional (1.16). Fundamental para entender medição.
  2. Capítulo 2 – Medição: Definição de medição (2.1), mensurando (2.3), princípio de medição (2.4), método de medição (2.5), procedimento (2.6), resultado de medição (2.9), incerteza de medição (2.26), rastreabilidade (2.41), calibração (2.39). Capítulo central para metrologia.
  3. Capítulo 3 – Instrumento e sistema: Definição de instrumento (3.1), sistema de medição (3.2), indicação (3.5), escala (3.7), fundo de escala. Termos sobre meios de medição.
  4. Capítulo 4 – Características metrológicas: Definições de exatidão (4.5), precisão (4.4), erro de indicação (4.20), sensibilidade (4.12), resolução (4.14), deriva (4.21). Características que se medem e gerenciam.
  5. Capítulo 5 – Padrões de medição: Definição de padrão (5.1), padrão primário (5.4), padrão secundário (5.5), padrão de referência (5.6), padrão de trabalho (5.7), material de referência (5.13). Hierarquia da rastreabilidade.

Termos VIM Centrais e Seus Itens

Termo Item VIM 2012 Definição Resumida
Grandeza 1.1 Propriedade que pode ser expressa quantitativamente
Mensurando 2.3 Grandeza que se pretende medir
Resultado de medição 2.9 Conjunto de valores atribuídos ao mensurando
Incerteza de medição 2.26 Parâmetro associado ao resultado
Rastreabilidade metrológica 2.41 Propriedade pelo qual resultado se conecta a referência
Calibração 2.39 Estabelece relação instrumento-padrão
Padrão primário 5.4 Padrão de maior qualidade metrológica

Caso Prático: Uso do VIM para Validar Terminologia

Contexto

Laboratório acreditado RBC está revisando procedimento de calibração de pressão. Técnico sênior questiona se ‘erro de indicação’ é o termo correto ou se deveria ser ‘desvio padrão’.

Problema identificado

Resolução de dúvida terminológica usando referência oficial.

Abordagem aplicada

Consulta ao VIM 2012: (1) erro de indicação é definido no item 4.20 como ‘indicação de um instrumento de medição menos um valor verdadeiro de uma grandeza de entrada correspondente’; (2) desvio padrão é medida estatística de dispersão, definido no contexto do GUM e VIM item 4.4 sobre precisão; (3) confirma-se que ‘erro de indicação’ é o termo correto para o conceito específico (comparação entre indicação do instrumento e valor padrão); (4) atualizacao do procedimento com terminologia VIM, inclusão de referência ao item VIM para esclarecimento.

Resultado obtido

Procedimento atualizado com terminologia rigorosa. Auditor CGCRE elogia consistência terminológica.

Aprendizado

VIM é referência que resolve dúvidas terminológicas com autoridade internacional. Manter VIM acessível (impresso ou eletrônico) é investimento de baixo custo e grande retorno.

Erros Comuns em Auditorias CGCRE sobre VIM

  • Não usar VIM como referência: Adotar terminologia personalizada do laboratório. Comunicação com clientes e auditores comprometida.
  • Confundir termos próximos: Usar ‘precisão’ quando o correto é ‘exatidão’, ou ‘erro’ quando o correto é ‘incerteza’. VIM esclarece diferenças.
  • Continuar usando edições antigas: VIM 1 (1984) ou VIM 2 (1993) têm termos diferentes da edição atual. Usar VIM 2012 (vigente).
  • Não citar item VIM em documentação técnica: Usar termos sem referenciaá-los ao VIM. Falta de rigor formal.
  • Confundir VIM com outras referências: VIM é terminologia. GUM é incerteza. Cada um tem seu papel.

Estrutura e Organização do VIM 2012 (JCGM 200:2012)

O VIM 2012, formalmente designado JCGM 200:2012, é a terceira edição do Vocabulário Internacional de Metrologia, publicada pelo Joint Committee for Guides in Metrology (JCGM). Esse comitê reúne oito organizações internacionais de peso: BIPM, IEC, IFCC, ILAC, ISO, IUPAC, IUPAP e OIML. Essa governança multilateral confere ao documento autoridade técnica máxima e adoção praticamente universal nos sistemas metrológicos nacionais, incluindo o brasileiro via INMETRO.

O documento organiza-se em cinco capítulos temáticos que estruturam logicamente o conhecimento metrológico. O Capítulo 1 trata das grandezas e unidades; o Capítulo 2 aborda a medição propriamente dita, incluindo conceitos centrais como erro, incerteza, repetibilidade, reprodutibilidade e rastreabilidade metrológica; o Capítulo 3 define dispositivos de medição; o Capítulo 4 trata das propriedades dos dispositivos; e o Capítulo 5 cobre padrões de medição (etalons) e materiais de referência. Cada termo recebe número de entrada, definição formal, notas explicativas e, frequentemente, exemplos. Uma inovação importante da terceira edição foi a incorporação plena da abordagem da incerteza, harmonizando o vocabulário com o GUM (JCGM 100:2008) e superando a antiga ênfase exclusiva no conceito de erro verdadeiro. O VIM 2012 também apresenta os conceitos com diagramas que explicitam relações hierárquicas e de subordinação entre termos. Sua adoção é referência normativa direta na ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 e na ISO 10012:2003, tornando o domínio de sua terminologia condição obrigatória para qualquer profissional que atue em laboratórios acreditados ou em sistemas de gestão da medição.

A Abordagem por Incerteza versus a Abordagem por Erro no VIM 2012

Uma das contribuições conceituais mais significativas do VIM 2012 (JCGM 200:2012) foi consolidar a transição da abordagem clássica baseada no erro para a abordagem moderna baseada na incerteza de medição. Na visão clássica, supunha-se a existência de um valor verdadeiro único de uma grandeza, e o erro seria a diferença entre o valor medido e esse valor verdadeiro — conceito problemático, pois o valor verdadeiro é, por natureza, desconhecido e em geral inalcançável.

O VIM 2012, alinhado ao GUM (JCGM 100:2008), adota a abordagem da incerteza (uncertainty approach). Nela, reconhece-se que toda medição fornece apenas uma estimativa do valor da grandeza, à qual se associa uma incerteza de medição (item 2.26) que caracteriza a dispersão dos valores razoavelmente atribuíveis ao mensurando. Os conceitos-chave dessa mudança incluem:

  • Mensurando (item 2.3): a grandeza que se pretende medir, definida com precisão;
  • Incerteza-padrão (item 2.30): incerteza expressa como desvio-padrão;
  • Incerteza expandida (item 2.35): obtida multiplicando-se a incerteza-padrão combinada por um fator de abrangência k;
  • Valor verdadeiro (item 2.11): mantido como conceito ideal, mas não operacional.

O VIM 2012 reconhece que ambas as abordagens coexistem na literatura, mas privilegia a da incerteza por ser internamente consistente e operacionalmente aplicável. Para o laboratório acreditado sob a ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, essa distinção é prática: certificados de calibração devem expressar resultados com incerteza de medição associada, e não como erro absoluto frente a um valor verdadeiro inacessível. Dominar essa filosofia é pré-requisito para a correta elaboração de balanços de incerteza segundo o GUM.

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Perguntas Frequentes sobre VIM 2012

Onde baixar o VIM gratuitamente?

O VIM está disponível gratuitamente em inglês e francês no site do BIPM: www.bipm.org. Pesquisar por ‘JCGM 200:2012’. A versão brasileira (Vocabulário Internacional de Metrologia – Conceitos fundamentais e gerais e termos associados) é publicação conjunta ABNT/INMETRO/CGCRE disponível no site do INMETRO.

VIM substitui ABNT NBR ISO/IEC 17025?

Não. São complementares. 17025 estabelece requisitos do sistema de gestão e operacionais; VIM define terminologia usada. 17025 cita VIM como referência terminológica. Laboratório acreditado precisa de ambos: 17025 obrigatória pela acreditação; VIM referência universal para terminologia.

Existem outras edições do VIM?

Sim. VIM 1 (1984), VIM 2 (1993), VIM 3 (2008), VIM 3 revisado (2012, atual JCGM 200:2012). VIM 4 está em discussão internacional mas não publicado ainda. Sempre usar a versão vigente (2012).

Como integrar VIM em procedimentos do laboratório?

Três práticas: (a) citar VIM em procedimentos técnicos como referência geral; (b) usar terminologia VIM consistentemente em documentação, certificados, relatórios; (c) treinar equipe em terminologia VIM, especialmente novos colaboradores.

Quanto tempo leva para dominar VIM?

Para profissional com base em metrologia: leitura inicial 8 a 12 horas para visão geral; aprofundamento de termos centrais (40 a 50 termos centrais) 2 a 4 semanas; aplicação consistente em prática diaria 2 a 3 meses. Cursos especializados (Curso Online de Metrologia da Cirius) cobrem terminologia VIM como parte do programa, acelerando o processo.

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Conclusão

O VIM (Vocabulário Internacional de Metrologia — JCGM 200:2012) é documento fundamental da metrologia moderna — referência universal para terminologia em laboratórios acreditados internacionalmente. Para profissionais brasileiros, dominar VIM é condição para excelência técnica. Baixar a versão em português gratuitamente no site do INMETRO, manter cópia impressa ou eletrônica acessível para consultas, estudar termos centrais (especialmente do capítulo 2 sobre medição), e usar consistentemente em documentação tecnica do laboratório são investimentos que pagam em qualidade comunicação e em auditorias CGCRE. A Cirius Quality, em seus cursos online especializados (Curso Online de Metrologia, Curso Online de Calibração, Curso de Análise de Certificado, Curso Online MSA), incorpora terminologia VIM em todo o material didático, acelerando dominio prático para profissionais brasileiros da Rede Brasileira de Calibração (RBC) e Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE).


Termos relacionados a este artigo no Glossário Cirius Quality: GUM, Mensurando, Grandeza, BIPM.