O que é: Bureta Calibrada
A bureta calibrada é um instrumento volumétrico de vidro (ou plástico) de alta precisão, calibrado e rastreável, utilizado para medir e dispensar volumes variáveis de líquidos com exatidão, principalmente em análises volumétricas (titulações) em laboratórios químicos. Possui uma escala graduada ao longo do corpo e uma torneira (válvula) na extremidade inferior para controle preciso do escoamento.
A calibração da bureta garante que os volumes indicados na escala correspondam aos volumes reais escoados, dentro de uma incerteza conhecida, sendo essencial para a confiabilidade de análises químicas quantitativas.
Definição Técnica
Conforme a norma ISO 385 (Laboratory glassware — Burettes), a bureta calibrada é um instrumento volumétrico classe A ou B, com volume nominal e tolerâncias especificadas, calibrado por método gravimétrico (pesagem de água destilada) com rastreabilidade ao SI.
Classes de Exatidão
- Classe A: Maior exatidão, para análises de precisão. Tolerâncias mais estreitas.
- Classe B: Exatidão padrão, para análises de rotina. Tolerâncias aproximadamente o dobro da classe A.
- Classe AS: Classe A com tempo de escoamento especificado (mais rápida)
Tipos de Bureta
- Bureta convencional: Com torneira de vidro ou PTFE
- Bureta automática: Com reservatório e enchimento automático
- Bureta digital: Com display eletrônico de volume
- Bureta de Schellbach: Com faixa azul para facilitar leitura do menisco
- Microbureta: Para volumes muito pequenos (alta resolução)
Volumes Nominais Típicos
- 10 mL (resolução 0,02 mL ou 0,05 mL)
- 25 mL (resolução 0,05 mL ou 0,1 mL)
- 50 mL (resolução 0,1 mL)
- 100 mL (resolução 0,2 mL)
Calibração de Buretas
A calibração é realizada pelo método gravimétrico:
- Escoar volume conhecido de água destilada da bureta
- Pesar a água escoada em balança analítica calibrada
- Converter massa em volume usando a densidade da água na temperatura de ensaio
- Comparar volume real com volume nominal indicado
- Calcular o erro e a incerteza de medição
- Repetir em diversos pontos da escala

Fatores que Afetam a Medição
- Temperatura: Afeta o volume do vidro e a densidade do líquido
- Leitura do menisco: Deve ser feita na parte inferior do menisco (líquidos transparentes)
- Erro de paralaxe: Posição do olho deve estar no nível do menisco
- Tempo de escoamento: Escoamento rápido demais deixa líquido residual nas paredes
- Limpeza: Paredes sujas causam escoamento irregular
- Gotejamento: Última gota deve ser controlada com precisão
Cuidados Operacionais
- Limpeza rigorosa antes do uso (sem resíduos gordurosos)
- Ambientação com a solução a ser dispensada
- Eliminação de bolhas de ar na ponta
- Leitura correta do menisco (parte inferior)
- Controle de temperatura ambiente
- Recalibração periódica conforme uso
Aplicações
- Titulações ácido-base: Determinação de concentração
- Titulações de oxirredução: Análises redox
- Titulações complexométricas: Determinação de íons metálicos
- Análises volumétricas em geral: Química analítica quantitativa
- Controle de qualidade: Análises em diversas indústrias
Referências Técnicas
- ISO 385 — Laboratory glassware — Burettes
- ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 — Requisitos para laboratórios
- VIM 2012 (JCGM 200:2012) — Vocabulário Internacional de Metrologia
- ISO 4787 — Volumetric glassware — Methods for use and testing of capacity
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