Opção A da ISO/IEC 17025: Sistema de Gestão Direto
Ao implementar acreditação conforme ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, o laboratório enfrenta decisão estratégica importante: implementar sistema de gestão conforme requisitos diretos da própria norma (Opção A) ou via SGQ ISO 9001:2015 já certificado (Opção B). Para laboratórios pequenos e médios sem ISO 9001, a Opção A é o caminho mais direto e enxuto.
A Opção A foi introduzida na edição 2017 da norma (anteriormente havia apenas opção única). Esta flexibilidade reconhece que sistema de gestão adequado pode ser implementado em escalas diferentes — laboratório pequeno não precisa de sistema tão elaborado quanto grande corporação.
Este guia apresenta a Opção A em profundidade: requisitos específicos (itens 8.2 a 8.9), quando escolhê-la sobre Opção B, e modelo de implementação eficiente da Cirius Quality validado em laboratórios da Rede Brasileira de Calibração (RBC).
TL;DR: Opção A é a alternativa de implementação do sistema de gestão conforme ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 (item 8.1.2), atendendo diretamente os requisitos da própria norma 17025 nos itens 8.2 a 8.9, sem necessidade de certificação ISO 9001 complementar.
O que é Opção A? Definição Técnica Completa
Conforme item 8.1.2 da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, na Opção A, o sistema de gestão do laboratório deve, no mínimo, atender os requisitos de 8.2 a 8.9 que cobrem: documentação do sistema (8.2), controle de documentos (8.3), controle de registros (8.4), ações para abordar riscos e oportunidades (8.5), melhoria (8.6), ação corretiva (8.7), auditorias internas (8.8) e análises críticas pela direção (8.9).
A diferença essencial em relação à Opção B está na fonte dos requisitos: na A, eles vêm diretamente da 17025; na B, podem vir de SGQ ISO 9001:2015 já implementado. Operacionalmente, requisitos são equivalentes, com possibilidade de simplificação documental na Opção A.
Histórico e Evolução do Conceito de Opção A
A introdução de duas opções na edição 2017 da ABNT NBR ISO/IEC 17025 foi resposta a longa demanda dos laboratórios menores e suas associações internacionais. A versão anterior (2005) trazia requisitos mais prescritivos, dificultando implementação em laboratórios pequenos.
A formalização das duas opções alinhou a 17025 com práticas de outras normas ISO. Em 2026, a maioria dos novos pedidos de acreditação à CGCRE em laboratórios pequenos opta pela Opção A pela simplicidade e adequação à escala operacional.
Princípios Fundamentais de Opção A
- Adequação à escala: Sistema proporcional ao tamanho e complexidade do laboratório.
- Documentação enxuta: Procedimentos necessários e suficientes, sem burocracia exagerada.
- Foco em operação, não em estrutura: Requisitos cobrem o que o laboratório precisa fazer, não forma estrutural detalhada.
- Independência de outras certificações: Não exige ISO 9001 nem outras.
- Possibilidade de migração futura: Opção A pode evoluir para B se laboratório crescer e implementar ISO 9001.
Os 8 Requisitos da Opção A (Itens 8.2 a 8.9)
Sistema de gestão conforme Opção A precisa atender:
- 8.2 Documentação do sistema: Políticas, objetivos, compromissos. Política da qualidade e imparcialidade.
- 8.3 Controle de documentos: Aprovação, revisão, identificação, distribuição, retirada de obsoletos.
- 8.4 Controle de registros: Retenção, proteção, integridade, acessibilidade. Tempo de retenção mínimo 5 anos.
- 8.5 Ações para abordar riscos e oportunidades: Identificação, avaliação, planejamento, acompanhamento, avaliação de eficácia.
- 8.6 Melhoria: Identificação de oportunidades, planos de ação, acompanhamento.
- 8.7 Ação corretiva: Tratamento estruturado de não conformidades com análise de causa raiz.
- 8.8 Auditorias internas: Programa anual cobrindo todo o sistema; auditores qualificados.
- 8.9 Análises críticas pela direção: Mínimo anual com pauta específica cobrindo todos os elementos do sistema.
Quando Escolher Opção A vs Opção B
| Cenário | Opção A | Opção B |
|---|---|---|
| Pequeno laboratório sem ISO 9001 | Recomendada | Esforco desnecessário |
| Laboratório em grupo com ISO 9001 já certificado | Duplica esforco | Recomendada |
| Laboratório buscando reconhecimento internacional adicional | Suficiente para 17025 | Pode adicionar valor |
| Custo total de implementação e manutenção | Menor | Maior (duas certificações) |
| Flexibilidade documental | Maior | Restringida pela ISO 9001 |
Caso Prático: Implementação de Opção A em Laboratório Pequeno
Contexto
Laboratório de calibração de pressão, 5 técnicos, sem ISO 9001, primeira acreditação RBC. Pretende implementar Opção A.
Problema identificado
Como estruturar sistema de gestão enxuto e suficiente, sem burocracia exagerada?
Abordagem aplicada
Implementação em 90 dias sob orientação Cirius: (mês 1) política da qualidade, política de imparcialidade, organograma, cartas de delegação; (mês 2) procedimentos operacionais essenciais (8 procedimentos: documentos, registros, não conformidade, ação corretiva, análise crítica, auditoria interna, melhoria, riscos e oportunidades); (mês 3) primeira auditoria interna, primeira análise crítica pela direção, preparação para CGCRE.
Resultado obtido
Sistema enxuto e funcional, 9 documentos centrais, lista mestra em planilha. Auditoria CGCRE: 0 constatações maiores, sistema considerado adequado à escala.
Aprendizado
Opção A é ideal para laboratórios pequenos. Sistema enxuto cumpre todos os requisitos quando bem desenhado.
Erros Comuns em Auditorias CGCRE sobre Opção A
- Sistema documental excessivo: Criar 50 procedimentos quando bastam 10. Sistema burocrático vira problema operacional.
- Confundir Opção A com Opção B simplificada: Implementar parcialmente requisitos de ambas. Sistema inconsistente.
- Decisão não documentada: Implementar Opção A sem declaração formal. Auditor pergunta qual opção e não há registro.
- Ausência de melhoria documentada: Implementar Opção A focando apenas na conformidade mínima, sem identificar oportunidades de melhoria.
- Análise crítica protocolar: Reunião anual sem pauta específica nem decisões documentadas. Item formal mas ineficiente.
Documentação Exigida na Opção A
A Opção A da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 exige que o laboratório estabeleça e mantenha informação documentada para os requisitos de gestão dos itens 8.2 a 8.9. Isso inclui: documentação do sistema de gestão e políticas (8.2), controle de documentos (8.3), controle de registros (8.4), ações para abordar riscos e oportunidades (8.5), melhoria (8.6), ações corretivas (8.7), auditorias internas (8.8) e análises críticas pela direção (8.9). A Opção A é a escolha natural para laboratórios que não possuem um sistema de gestão da qualidade ISO 9001 implementado.
Vantagens e Limitações da Opção A
A principal vantagem da Opção A é a autossuficiência: o laboratório atende a todos os requisitos de gestão diretamente pela própria ISO/IEC 17025, sem depender de outra certificação. Isso simplifica a estrutura para laboratórios independentes e de menor porte. A limitação aparece em organizações maiores que já possuem SGQ ISO 9001 — nesses casos, manter um sistema separado apenas para o laboratório pode gerar duplicidade e retrabalho, situação em que a Opção B se torna mais vantajosa.
Migração entre Opção A e Opção B
Um laboratório pode migrar entre as opções conforme evolui. Um laboratório que inicia com a Opção A e, posteriormente, tem sua organização certificada na ISO 9001 pode migrar para a Opção B, integrando a gestão. O inverso também é possível. O importante é que, independentemente da opção, todos os resultados pretendidos do sistema de gestão sejam alcançados — a norma é clara ao afirmar que ambas as opções têm o mesmo objetivo e devem produzir resultados equivalentes em termos de garantia da qualidade.
Papel da Alta Direção na Opção A
Mesmo na Opção A, que não depende da ISO 9001, a liderança da direção do laboratório é requisito explícito. O item 8.2 exige que a direção estabeleça, documente e mantenha políticas e objetivos para o cumprimento da norma, e que assegure que essas políticas sejam comunicadas e compreendidas em toda a organização. A direção também é responsável por garantir a integridade do sistema de gestão quando mudanças são planejadas e implementadas. O comprometimento visível da liderança é, na prática, o fator que mais influencia o sucesso da implementação da Opção A.
Auditorias Internas na Opção A
O item 8.8 da norma exige que o laboratório conduza auditorias internas em intervalos planejados para verificar se o sistema de gestão está conforme os requisitos da própria ISO/IEC 17025 e se está efetivamente implementado e mantido. Na Opção A, todo o programa de auditorias internas deve ser estruturado a partir da 17025, cobrindo tanto os requisitos de gestão (item 8) quanto os requisitos técnicos (itens 6 e 7). Auditores internos devem ser competentes e, sempre que possível, independentes da área auditada para garantir objetividade.
Em conclusão, a Opção A é o caminho adequado para laboratórios que desejam atender integralmente aos requisitos de gestão da ISO/IEC 17025 sem depender de uma certificação ISO 9001 separada. Sua implementação exige comprometimento da direção, documentação estruturada e um programa consistente de auditorias internas e análises críticas, garantindo que o sistema de gestão produza os resultados pretendidos de competência e confiabilidade.
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- Guia Comentado ISO 10012:2003 (SGM) — para integrar a gestão metrológica ao sistema de gestão do laboratório.
Perguntas Frequentes sobre Opção A ISO 17025
Quando devo escolher Opção A?
Quando: (a) laboratório é pequeno a médio (até ~30 colaboradores); (b) não há ISO 9001 implementada nem planos imediatos; (c) deseja-se sistema enxuto adequado à escala; (d) custos de manutenção devem ser otimizados; (e) flexibilidade documental é desejável.
Opção A é mais fácil que B?
Geralmente sim, principalmente em implementação e manutenção. Opção A evita o esforco e custo da certificação ISO 9001 complementar. Porém, Opção B pode ser vantajosa em laboratórios já integrados a sistema corporativo ISO 9001.
Posso migrar de Opção A para B no futuro?
Sim. Quando laboratório cresce e justifica implementar ISO 9001 (e.g., para atender requisitos de cliente corporativo), pode migrar para Opção B sem perder acreditação 17025. Migração exige planejamento, mas é viável.
A escolha entre Opção A e B precisa ser declarada formalmente?
Sim, deve estar registrada em política da qualidade e em ata de análise crítica pela direção. Auditor da CGCRE pergunta qual opção foi adotada para confirmar conformidade aos requisitos correspondentes.
Opção A reduz nível de exigência em relação à B?
Não em qualidade técnica. Reduz apenas requisitos de SGQ formal (não exige certificação ISO 9001). Requisitos técnicos da 17025 são idênticos em ambas as opções.
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Conclusão
Opção A da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 oferece caminho eficiente para laboratórios brasileiros pequenos e médios implementarem sistema de gestão adequado à escala operacional. Implementar sistema enxuto (9 a 15 procedimentos essenciais), manter políticas formais aprovadas pela alta direção, executar auditorias internas e análises críticas pela direção anualmente com pauta específica são práticas que distinguem operacoes profissionais. Para a Rede Brasileira de Calibração (RBC) e Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE), Opção A é escolha majoritaria entre novos laboratórios acreditados em 2026.
Termos relacionados a este artigo no Glossário Cirius Quality: Opção B, Sistema de gestão, Auditoria interna, Análise crítica.






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