O que é: Ação Corretiva em Calibração

A ação corretiva em calibração é a medida tomada para eliminar a causa de uma não conformidade detectada durante uma calibração ou no contexto de um sistema de gestão metrológica. Diferentemente da correção (que apenas trata o efeito), a ação corretiva ataca a causa raiz para evitar a recorrência do problema.

Em laboratórios acreditados pela ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, a gestão de ações corretivas é um requisito obrigatório. Toda não conformidade identificada (em calibrações, auditorias internas, ensaios de proficiência, reclamações de clientes) deve ser tratada com ações corretivas formais e documentadas.

Definição Técnica

Conforme a ABNT NBR ISO 9000:2015, a ação corretiva é definida como a “ação para eliminar a causa de uma não conformidade e prevenir a sua repetição”. Distingue-se claramente:

  • Correção: Ação imediata para tratar o problema detectado
  • Ação corretiva: Ação sobre a causa raiz para evitar recorrência

Exemplos Típicos em Calibração

  • Padrão fora de calibração: Recalibrar imediatamente (correção) e revisar plano de calibração para evitar atrasos (ação corretiva)
  • Erro em certificado emitido: Reemitir o certificado correto (correção) e revisar procedimento de revisão (ação corretiva)
  • Resultado insatisfatório em proficiência: Refazer a análise (correção) e treinar pessoal sobre o método (ação corretiva)
  • Reclamação de cliente: Atender ao cliente (correção) e revisar processo de comunicação (ação corretiva)

Etapas da Ação Corretiva

  1. Identificação da não conformidade: Registro formal da ocorrência
  2. Análise de causa raiz: Uso de ferramentas como Ishikawa, 5 Porquês, FMEA
  3. Definição da ação: Plano detalhado com responsáveis e prazos
  4. Implementação: Execução das ações planejadas
  5. Verificação da eficácia: Confirmação de que a causa foi eliminada
  6. Encerramento: Fechamento formal do registro de não conformidade

Ação Corretiva em Calibração

Ferramentas de Análise de Causa Raiz

  • Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe): Identificação de causas em 6 categorias (6M)
  • Método dos 5 Porquês: Aprofundamento sucessivo até a causa fundamental
  • FMEA (Análise de Modos de Falha): Identificação preventiva de modos potenciais de falha
  • Pareto: Priorização das causas mais frequentes ou impactantes

Requisitos da ISO 17025

A norma ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, na seção 8.7, exige que o laboratório:

  • Reaja à não conformidade e tome ações para controlar e corrigir
  • Avalie a necessidade de eliminar as causas para prevenir recorrência
  • Implemente ações apropriadas
  • Analise criticamente a eficácia das ações
  • Atualize riscos e oportunidades quando necessário
  • Mantenha registros das ações tomadas

Diferença entre Ação Corretiva e Preventiva

  • Ação Corretiva: Reage a não conformidades já ocorridas, eliminando suas causas
  • Ação Preventiva: Antecipa-se a problemas potenciais, eliminando causas de não conformidades futuras

A ISO 17025:2017 enfatiza a abordagem baseada em risco, que essencialmente integra a ação preventiva no sistema de gestão.

Documentação Obrigatória

  • Registro da não conformidade: Identificação, descrição, data, responsável
  • Análise de causa raiz: Documentação das ferramentas e conclusões
  • Plano de ação: O que será feito, por quem, quando
  • Evidências de implementação: Registros das ações executadas
  • Verificação de eficácia: Comprovação de que o problema não recorreu

Referências Técnicas

  • ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 — Seção 8.7 (Ações corretivas)
  • ABNT NBR ISO 9000:2015 — Vocabulário e fundamentos
  • ABNT NBR ISO 9001:2015 — Sistema de gestão da qualidade
  • ISO 31000:2018 — Gestão de riscos

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